humanamente musicar

por Marcelo S. Petraglia

publicado originalmente em: Prata da Casa 6 – escritas e depoimentos sobre a gênese, trajetória e perspectivas do Grupo MAIS. São Paulo: Oboré, 2013.

A música parece ser um fato indissociável da existência humana. A história e a arqueologia mostram que ela esteve presente na humanidade desde épocas imemoriais e continua tendo um papel de destaque na expressão de nossos pensamentos, sentimentos e ações. Atualmente pode-se dizer que todas as culturas fazem música e que seus membros se expressam musicalmente, seja de forma rudimentar ou altamente sofisticada. Segundo o filosofo da música Victor Zuckerkandl1, isto implica em que, não apenas alguns homens são musicais enquanto outros não o são, mas que o homem é um ser musical, um ser predisposto à musica e com necessidade de música, um ser que para sua plena realização precisa expressar-se em tons musicais e deve produzir música para si mesmo e para o mundo. Neste sentido, musicalidade não é algo que alguém possa ter ou não ter, mas algo que – junto com outros fatores – é constitutivo do ser humano. Faz-se música porque música faz parte da vida. Faz-se música para si mesmo, para os outros, para celebrar, louvar, lamentar, curar, se divertir, ritualizar momentos significativos da vida de indivíduos e da coletividade. A música não é pela música, mas é a forma sonora humanizada coerente com a experiência vivida.

texto completo em PDF

Adicionar a favoritos link permanente.

Comentários estão encerrados.