{"id":206,"date":"2015-06-14T04:13:20","date_gmt":"2015-06-14T04:13:20","guid":{"rendered":"http:\/\/marcelopetraglia.com.br\/mp\/?p=206"},"modified":"2020-03-02T15:21:30","modified_gmt":"2020-03-02T15:21:30","slug":"crescendo-com-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelopetraglia.com.br\/?p=206","title":{"rendered":"crescendo com m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p>por Marcelo S. Petraglia<\/p>\n<p>publicado originalmente na revista Ch\u00e3o &amp; Gente N. 1 Junho 1994<\/p>\n<p>Ao longo das ultimas d\u00e9cadas, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino e na mentalidade das pessoas em geral, desenvolveu-se a tend\u00eancia, de levarmos as crian\u00e7as e jovens, a assimilarem a maior quantidade de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edvel e o quanto antes, pensando que desta maneira estar\u00edamos preparando realisticamente os futuros adultos. Passamos a dar mais \u00eanfase ao aspecto quantitativo, negligenciando a tarefa formativa da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, em todo o mundo hoje, come\u00e7a-se a perceber que esta maneira de agir esta levando a um empobrecimento das possibilidades do ser humano pois a informa\u00e7\u00e3o de hoje pouco valor ter\u00e1 daqui a dez anos e o momento em que a alma humana estava aberta, male\u00e1vel e pass\u00edvel de adquirir bases s\u00f3lidas para a vida futura, passou. Em quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, realmente vale o ditado: &#8220;malhar o ferro enquanto esta quente&#8221;.<\/p>\n<p>Quando pensamos agora em uma real forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, queremos acima de tudo desenvolver suas potencialidades. Torn\u00e1-lo apto a, no futuro, aprender tudo que quiser e precisar, ter a disposi\u00e7\u00e3o infinitas formas de pensar, sensibilidade para perceber sua rela\u00e7\u00e3o com os outros e o mundo e vontade de agir e transformar seu meio ambiente. Isto significa que a crian\u00e7a em fase escolar deveria ter a possibilidade de desenvolver as potencialidades de sua alma, sem contudo dar a seus processos uma forma cristalizada e definitiva. O que tentaremos mostrar a seguir \u00e9 como, nesse sentido, as artes e em especial a m\u00fasica s\u00e3o uma ferramenta poderosa e indispens\u00e1vel.<br \/>\n<strong><br \/>\nA vida entre os tons<\/strong><\/p>\n<p>Crian\u00e7as normalmente gostam de cantar, dan\u00e7ar ou pintar, isto faz parte da sua natureza. Elas intuitivamente sabem que estas atividades atuam intensamente no seu ser, ajudando-as a estruturar seu organismo. Podemos observar como, que por meio da m\u00fasica a crian\u00e7a da continuidade ao desenvolvimento de seu sistema motor, ao mesmo tempo que lan\u00e7a as bases para um pensar vivo e criativo, fazendo isso permeada por um sentimento de beleza e pertencimento.<\/p>\n<p>Podemos entender este processo a partir de tr\u00eas atividades b\u00e1sicas: primeiro, a procura e desenvolvimento da afina\u00e7\u00e3o; segundo, a aquisi\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia do pulso e do ritmo; e terceiro, aquilo que podemos chamar de &#8220;ouvir social&#8221;.<\/p>\n<p>Afinar a voz (e o ouvido ) \u00e9 buscar e incorporar as leis objetivas que ordenam os tons, deixando fluir essas leis ao organismo do canto. Todos n\u00f3s somos capazes de perceber o &#8220;afinado&#8221; ou &#8220;desafinado&#8221; porque de alguma forma possu\u00edmos essas leis impressas no nosso organismo. Temos nas rela\u00e7\u00f5es entre os tons algo que \u00e9 culturalmente est\u00e1vel e que se apresenta a todos os indiv\u00edduos de forma objetiva. Temos aqui e tamb\u00e9m no elemento r\u00edtmico, um dos pontos de contato entre a m\u00fasica e a matem\u00e1tica, pois tons e intervalos musicais expressam suas leis atrav\u00e9s de n\u00fameros, mais precisamente por meio de propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma melodia \u00e9 basicamente uma ordena\u00e7\u00e3o desses tons no tempo, de forma fluida e com significado. Ao cantar uma can\u00e7\u00e3o, a crian\u00e7a incorpora essas leis e movimenta no seu \u00edntimo, aquela for\u00e7a que \u00e9 capaz de unir e ordenar tons, dando-lhes um sentido. Podemos observar aqui, uma atividade an\u00e1loga ao processo que mais tarde lhe permitir\u00e1 identificar, ordenar e utilizar conceitos corretos para formular um pensamento, s\u00f3 que na m\u00fasica ainda se mant\u00e9m sob a forma pura de movimento. Cantar afinado \u00e9 um processo que, desta forma, prepara um futuro pensar claro e sadio, sem contudo atulhar a crian\u00e7a com conceitos fixos.<\/p>\n<p><strong>Conquistando a si mesmo<\/strong><\/p>\n<p>Do outro lado temos o impulso do ritmo que, a princ\u00edpio, \u00e9 ca\u00f3tico e incontrol\u00e1vel. S\u00e3o aqueles impulsos inconscientes que nos impelem ao movimento, nos fazem dan\u00e7ar e atuam no nosso sistema metab\u00f3lico, transformando subst\u00e2ncia em energia. Ao se exercitar na m\u00fasica, a crian\u00e7a tem a tarefa de dominar este impulso, dando-lhe forma, sentido e tomando as r\u00e9deas de sua vontade nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Ritmo e pulso s\u00e3o aqueles elementos que nos colocam musicalmente em contato com o tempo e a terra. Batemos palmas e os p\u00e9s no ch\u00e3o, vivenciando o fluxo musical atrav\u00e9s de nos. A crian\u00e7a trabalha no sentido de levar sua consci\u00eancia at\u00e9 as extremidades dos seus membros, tomando assim posse do seu corpo. E quando lentamente fortalece seu cerne e adquire a seguran\u00e7a de um pulso pr\u00f3prio, \u00e9 capaz de se antepor como indiv\u00edduo aos demais e ao mundo. Este \u00e9 um passo fundamental no desenvolvimento da individualidade, que ao redor dos nove anos de idade come\u00e7a a se consolidar e torna-se musicalmente aud\u00edvel. De grande ajuda para a crian\u00e7a nesse momento, podem ser os exerc\u00edcios em que ela \u00e9 solicitada a manter um pulso ou ritmo pr\u00f3prio contra os demais, pois isso significa abandonar a consci\u00eancia de uni\u00e3o com o meio ambiente e penetrar com mais confian\u00e7a e profundidade na pr\u00f3pria corporalidade. Neste gesto de independ\u00eancia encontramos o primeiro alicerce para um agir autodeterminado e livre no futuro.<\/p>\n<p><strong>Cantando juntos<\/strong><\/p>\n<p>Neste caminho de desenvolvimento, o elemento social torna-se o ponto central de todo o processo. A cada momento a crian\u00e7a viv\u00eancia a altern\u00e2ncia entre atuar e observar, cantar e ouvir. Aprender a ouvir o outro, a perceber a conson\u00e2ncia ou disson\u00e2ncia do todo e encontrar a maneira adequada de com eles se relacionar; este \u00e9 o grande aprendizado que ela pode fazer com a m\u00fasica. E, como j\u00e1 dissemos, a viv\u00eancia que a ela toca de forma integral, n\u00e3o apenas apelando ao aspecto intelectual, \u00e9 aquela que pode plasmar a alma incutindo-lhe sadias formas de atua\u00e7\u00e3o. Podemos dizer que: crian\u00e7as que se exercitam, coletivamente, repetindo incont\u00e1veis vezes a mesma can\u00e7\u00e3o ou pe\u00e7a instrumental, com a inten\u00e7\u00e3o de aprimor\u00e1-la, est\u00e3o praticando uma vontade social construtiva e buscando em conjunto, a harmonia do todo. Aprendendo, no contexto geral, a partir do seu \u00edntimo, dar a sua contribui\u00e7\u00e3o, com prazer e alegria de crescer com os outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>o papel da m\u00fasica no desenvolvimento da crian\u00e7a<br \/>\npublicado originalmente na revista Ch\u00e3o &#038; Gente N. 1 Junho 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